Recife, 09 de Setembro de 2010



11/06/2009

PROBLEMAS DO CATOLICISMO EUROPEU


 
A situação do cristianismo europeu não é nada confortável nem no meio católico nem no meio protestante. Na Itália, onde 97% da população se
considera católica, apenas 30% dos fiéis vão à igreja. Na França, denominada "filha primogênita da igreja", há cidades com maior presença de mulçumanos
que de católicos. Sessenta por cento
da população de Marselha, a segunda maior cidade da França, professa o islamismo. Enquanto o número de sacerdotes diocesanos e religiosos
cresce na América Latina, África e
Ásia, decresce na América do Norte, na Oceania e principalmente na Europa (18,4% a menos). O número de católicos aumenta na Ásia e na África, mas diminui de maneira sensível na Europa. Quarenta por cento dos britânicos, tradicionalmente protestantes, declaram não acreditar em Deus (no Brasil a porcentagem desses era de 1 % na década de 70 e hoje chega a 7,3%).
Em artigo publicado no jornal americano Chicago Sun Times, Adele M. Stan, autora de Debating
Sexual Correctness (Retidão sexual
em debate), diz que o papa Bento
XVI "nunca olhou no espelho para encontrar a verdadeira razão do declínio do catolicismo na Europa".
O papa responsabiliza o modernismo,
o relativismo e o multiculturalismo. Porém, Stan afirma que "a rejeição da Europa ao catolicismo tem menos a ver com a perda de espiritualidade do que com o autoritarismo de uma instituição que muitos consideram, na melhor das hipóteses, moralmente inapta; na pior, moralmente falida".
Para a autora do artigo, os campos imersos em sangue da Primeira Guerra Mundial provariam serem campo fértil para o existencialismo e para seu primo, o niilismo. A Igreja Católica Romana tem sua parcela de culpa: ela se aliou ao anti-semitismo na França, ao ditador Francisco Franco na Espanha e ao movimento revolucionário na Croácia.
Consultado a respeito dos
comentários de Adele Stan, o historiador protestante Alderi Souza de Matos diz
que é difícil avaliar a correção desse diagnóstico. "O crescente secularismo da Europa pode ser explicado em
parte por certas situações internas da Igreja Católica, mas há outros fatores envolvidos". Alderi explica que "desde o iluminismo, no século 18, essa tendênci: secularizante tem crescido tanto em nações católicas como em protestantes", e acrescenta: "O problema de muitas pessoas é a desilusão com a religião
em geral, não só com o catolicismo".
A religião tem sido identificada com obscurantismo, moralismo, hipocrisia, manipulação. Quanto ao crescimento do islamismo na Europa, o historiador explica que é principalmente em virtude da imigração.
Uma boa definição de secularismo foi dada recentemente pelo cardeal Paulo Poupard, presidente do Pontífice Conselho para a Cultura: "Secularismo ( não é uma negação explícita da presença de Deus, mas sim uma mentalidade vazia em que Deus está total ou parcialmente ausente da vida é da consciência dos homens".


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